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À PROVA DE FOGO
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O
casamento está em vias de extinção. A cada ano, aumenta o número de
divórcios no mundo. E, mesmo entre aqueles que resistem à “solução” da
separação, muitos apenas se suportam, vivendo infelizes debaixo do mesmo
teto. O filme “A Prova de Fogo” (Fireproof, dos mesmos produtores de
“Desafiando Gigantes” e “A Virada”, já indicados aqui) toca nessa
ferida, aponta os prováveis e mais comuns motivos desse problema e
propõe a solução para ele.
Caleb Holt é capitão do Corpo de Bombeiros de Albany, EUA, tido como
herói em sua cidade. A metáfora é evidente: ele salva pessoas quase
todos os dias, mas é incapaz de salvar o próprio casamento. Percebendo a
situação, o pai dele propõe um desafio antes de o casal partir para a
separação. Relutante, Caleb aceita. (Detalhe: o ator principal é Kirk
Cameron, que estrelou na adolescência uma série de sucesso e decidiu,
depois, dedicar-se a projetos que promovessem o bem.)
A capa do DVD traz o slogan “Nunca deixe seu parceiro para trás”, que se
aplica tanto para bombeiros quanto para casais. Comentários no site do
filme deixaram claro que ele consegue fazer um retrato bastante preciso
da triste realidade da fragmentação do matrimônio. Muita gente se
sensibilizou e se identificou com a situação desesperadora do capitão
Caleb e sua esposa Catherine.
O filme trata paralelamente e com certa discrição da batalha de todo
homem (contra a lascívia) e de toda mulher (contra a vaidade). Com o relacionamento conjugal
enfraquecido, Caleb é tentado pela pornografia na internet, enquanto
Catherine começa a ceder às investidas de um jovem médico, em seu local
de trabalho.
O “desafio do amor” proposto pelo pai de Caleb consiste em colocar em
prática um simples programa de 40 dias no qual o cônjuge realiza
pequenas atividades diárias com o objetivo de reconquistar o parceiro.
Esse desafio acabou virando livro, com o título The Love Dare (O Desafio
do Amor).
Quando chega à metade do desafio (lá pelo 20º dia), Caleb desanima ao
perceber que nada parece estar dando certo. É aí que, mais uma vez
ajudado pelo pai, ele percebe o que realmente está faltando em sua vida,
e tudo muda – primeiro nele, depois na esposa. Afinal, como ensina o
filme, não se pode dar aquilo que não se tem: o amor incondicional. Como
e onde obtê-lo? É o grande “desafio” do filme.
Com esse tipo de amor, todo relacionamento se torna “a prova de fogo”.
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ENSINANDO A VIVER
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Em
“Ensinando a Viver” (“Martian Child”, EUA, 2007), David Gordon (John
Cusack) é um escritor de ficção científica que ficou viúvo recentemente
e resolve adotar Dennis (Bobby Coleman), menino órfão que acredita ser
um marciano em missão de exploração na Terra. Ignorando os sábios
conselhos de sua irmã Liz (Joan Cusack) sobre os perigos da paternidade,
e o receio da diretora do orfanato, Sophie (Sophie Okonedo), David
decide ser o pai do estranho garoto que afirma ser um alienígena. Mesmo
com o apoio da amiga Harlee (Amanda Peet), por quem David está cada vez
mais interessado, o aspirante a pai se vê completamente perdido. Para
começar, David corre o risco de perder o prazo de publicação de seu
próximo livro, o que está deixando seu já nervoso agente Jeff (Oliver
Platt) bastante preocupado. E ainda há o assistente social, Lefkowitz
(Richard Schiff), e seu Conselho, que têm sérias dúvidas sobre a
capacidade de David de ser pai. Em meio a tudo isso, Dennis apresenta um
comportamento bastante esquisito, e continua a insistir que veio do
planeta vermelho.
Uma série de acontecimentos inexplicáveis acaba por deixar David em
dúvida sobre se a alegação do menino realmente não passa de imaginação.
Mas, seja qual for a verdadeira origem desse menino notável, David se
apega cada vez mais a ele e descobre o poder transformador do amor
paterno. Irmãos na telona e também na vida real John e Joan Cusack já se
cruzaram diversas vezes nas películas, em produções diversas.
(Correio
do Povo do Paraná)
Nota: Não achei o filme “tudo isso”. Mas é uma opção a
mais em meio à enorme falta de opções.[MB]
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A VIRADA
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A
produção é simples, a atuação de alguns atores deixa um pouco a desejar
e o roteiro é bem singelo. Então, por que ver esse filme? Antes de
responder à pergunta, uma consideração: as pessoas estão tão acostumadas
a produções hollywoodianas milionárias carregadas de efeitos especiais e
ação, que quando assistem a produções mais modestas (“A Virada” consumiu
parcos 20 mil dólares) nem sempre se sentem satisfeitas em sua ânsia por
entretenimento. Há filmes que devem ser vistos com outro tipo de olhar e
com uma motivação que vá além do interesse no mero passatempo.
“A Virada” (“Flywheel”, no original, é uma peça essencial no motor dos
automóveis) foi produzido pela Sherwood Pictures, a mesma que levou às
telas o festejado “Desafiando Gigantes”. Na verdade, “A Virada” foi o
primeiro filme deles, mas só agora foi lançado no Brasil. Escrito pelos
irmãos Kendrick e estrelado por Alex Kendrick (o treinador Grant Taylor
do filme “Desafiando Gigantes”), “A Virada” chega a ser um filme até
mais convincente e se esforça para adicionar umas pitadas de bom humor
na história.
Kendrick faz o papel de Jan Austin, um vendedor de carros usados que
trapaceia seus clientes. Entretanto, em lugar de prosperar nos negócios,
ele fica endividado, a relação com a esposa e o filho vai mal e mesmo
sua vida religiosa se mostra uma farsa.
O filme segue meio monótono até certa altura, mas reserva alguns
momentos surpreendentes e emocionantes mais para o fim, quando Austin
percebe que sua vida pode ser diferente e que nem tudo está perdido. Que
assim como o motor de um carro velho e parado pode ser consertado e
posto em funcionamento com o simples virar de uma chave, sua vida também
pode experimentar uma “virada” na direção da realização plena.
Por que assistir ao filme? Porque, a despeito das limitações técnicas,
ele é capaz de mostrar que a fé traz sentido à vida quando permeia cada
aspecto da existência; quando a religião deixa de ser um assunto de fim
de semana e passa a ser um ingrediente importante do dia-a-dia.
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CRIATURAS INCRÍVEIS
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A Teoria
da Evolução é verdadeira? Você já teve acesso a informações suficientes
para avaliar entre criação ou evolução? O Dr. Jobe Martin descreve a si
mesmo como sendo originalmente um evolucionista convicto e dedicado. Um
dia, porém, após a aula na faculdade, um grupo de alunos veio até sua
mesa com uma dúvida e um desafio que mudariam radicalmente sua vida.
Eles simplesmente perguntaram se alguma vez ele tinha examinado a fundo
as "suposições" darwinistas.
O Dr. Martin ficou perplexo! Ele estudara evolução por anos e jamais
percebera qualquer "suposição". Entretanto, a idéia o intrigou e ele
começou a estudar algumas peculiaridades específicas da Teoria da
Evolução. Imediatamente, encontrou "suposições" que nunca vira antes;
era como se uma lente escura tivesse sido removida e ele pudesse até
mesmo ver que as suposições, de fato, existiam. Ele logo percebeu que
certos mecanismos de sobrevivência dos animais jamais poderiam ocorrer
aleatoriamente — mesmo num período de bilhões de anos.
Neste documentário. o Dr. Martin não apenas abre o jogo quanto a sua
conversão de darwinista em criacionista, como também apresenta exemplos
impressionantes de animais que foram projetados de maneira inteligente.
(Comev)
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O PEREGRINO
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Na
semana passada, assisti com minha família ao filme "O Peregrino",
adaptação do clássico romance do escritor cristão John Bunyan
(1628-1688), pregador nascido em Harrowden, Elstow, Inglaterra. O livro
é uma alegoria da caminhada cristã rumo à vida eterna, passando pela
salvação em Cristo. Dizem que é o segundo livro mais lido depois da
Bíblia. Eu o havia lido há um bom tempo e foi bom recordar seu conteúdo
por meio do filme que, apesar de um pouco antigo, é fiel à obra de
Bunyan. Detalhe: um dos personagens principais é o Lian Neeson ("Lista
de Schindler") em início de carreira. [Aproveite e leia o
comentário que minha filha de seis anos
fez no blog dela.]
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O REFÚGIO SECRETO
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Cornelia
Johanna Arnolda ten Boom, mais conhecida como Corrie ten Boom, nasceu em
Amsterdã, na Holanda, em 15 de abril de 1892. Membro de uma família
cristã reformada, sua história de amor e dedicação ao próximo, não
importasse quem fosse, se tornou conhecida em todo o mundo por meio de
sua autobiografia intitulada Refúgio Secreto. A família Boom
ajudou a salvar judeus durante a 2ª Guerra Mundial, escondendo-os em sua
casa. Por isso mesmo, os Boom acabaram sendo levados para o campo de
concentração Ravensbrück, na Alemanha, sofrendo fome e maus tratos nas
mãos dos nazistas.
Os anos em que passou na prisão militar se constituíram numa intensa
prova de fé para Corrie. Como amar pessoas tão más? Como perdoar os
seguidores de Hitler por causar tanto mal aos inocentes? A morte da irmã
Betsie, companheira de todos os momentos, foi um golpe duro para sua já
abalada fé e capacidade de perdoar. Mas o exemplo cristão de Betsie
falou mais alto. Seu último pedido foi que Corrie contasse ao mundo que
mesmo no poço mais profundo é possível contemplar o amor de Deus e
passá-lo adiante.
Por um engano dos nazistas, Corrie foi solta e, desde então, vem
cumprindo a vontade da irmã. Após a guerra, Corrie retornou à Holanda
para estabelecer centros de reabilitação. Depois ela visitou vários
países e escreveu diversos livros, entre os quais o mais famoso,
Refúgio Secreto, de 1971, que acabou virando filme e é distribuído
no Brasil pela
Comev (a dublagem em
português deixa um pouco a desejar, mas a produção é boa e a história,
comovente).
Corrie morreu em 1983, aos 85 anos, na Califórnia. Mas seu exemplo de
amor e humildade ainda fala alto. “O que conta não é minha capacidade,
mas minha resposta à capacidade de Deus”, escreveu.
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MADRE TEREZA
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Uma vida
devotada aos pobres, aos doentes e aos esquecidos. Conhecida como "a
santa dos pobres mais pobres", Inês Gonxha Bojaxhiu nasceu em Skopja,
capital da atual república da Macedônia. Aos 21 anos, mudando seu nome
para Teresa, ingressou em um convento de Calcutá. Onze anos mais tarde,
deixaria o convento e começaria a trabalhar nos bairros mais pobres da
cidade, vindo a fundar em 1946 a Congregação das Missionárias da
Caridade. Seu trabalho em favor dos mais necessitados rendeu a Madre
Tereza o Prêmio Nobel da Paz e o reconhecimento de seu trabalho no
mundo. Neste sensível e humano filme, o diretor Fabrizio Costa mostra a
dedicação, a luta e a intolerância sofrida pela missionária.
(Interfilmes)
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TEORIA DE TUDO
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Deus
existe? Será a ciência capaz de comprovar sua existência ou trazer mais
razões para a dúvida? Doug Holloway (David de Vos) é um homem de família
à beira da ruína financeira e matrimonial quando embarca numa jornada ao
encontro de seu pai biológico, o Dr. Eugene Holland (Victor Lundin),
cuja meta é nada menos que a maior descoberta a ser feita pela física
moderna, a comprovação da Teoria de Tudo, que poderia "provar" a
existência de Deus. Seu maior desafio é alcançar sua meta antes de ser
privado de sua capacidade de raciocínio por causa de uma doença cerebral
degenerativa. Na luta por seus objetivos, pai e filho unem forças para
fortalecer a família e buscar esperanças em Deus. Uma história comovente
sobre família, fé e física teórica. A Teoria de Tudo o inspirará a
considerar as possibilidades.
(Garagem
da Fé)
Nota: Como ocorre em alguns filmes evangélicos (e não
somente com os evangélicos, evidentemente), o roteiro acaba sendo meio
"forçado" e pouco convincente em alguns momentos. Mas a tentativa de
entrelaçamento entre fé e ciência nesta produção não deixa de ser
interessante.[MB]
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A JORNADA
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O ano é 1890. O
professor do Seminário Bíblico da Graça, Russell
Carlisle (D. David Morin, de
"Compromisso Precioso", outro bom filme), está prestes a publicar seu
livro e pede aos colegas do seminário para endossarem a obra. Um dos
membros da comissão, o Dr.
Norris Anderson (Gavin
MacLeod, de "O Barco do Amor"), se opõe à
publicação do livro devido ao que ele considera um erro grave: falar de
valores e moral sem mencionar a autoridade por trás desses valores -
Jesus Cristo. Segundo Anderson, a publicação do livro de
Carlisle poderia ajudar a demolir os pilares
morais que sustentam a sociedade.
Para provar que a idéia de que o ser humano pode viver moralmente sem
Deus acarreta graves conseqüências, o Dr. Anderson desafia
Carlisle a ver com os próprios olhos uma
sociedade que abraçou essa doutrina. Como? Enviando-o mais de cem anos
ao futuro através de uma máquina do tempo criada por John Anderson, o
pai de Norris.
A partir daí, o cenário é o de uma grande cidade norte-americana, cheia
de tentações e de cristãos nominais que acham que podem ser bons, mesmo
pouco conhecendo de Jesus e de Sua Palavra.
A ficção científica pode ser meio "forçada", mas é compensada pelo bom
roteiro, personagens e diálogos convincentes e pelos apelos e discursos
de Carlisle. O toque de humor leve se
mistura bem à proposta séria do filme de analisar a decadência moral do
mundo que vive na iminência da volta de Jesus.
Nem precisa dizer que Carlisle fica chocado
e, quando retorna ao passado, resolve reescrever o livro e
renomeá-lo de "Time
Changer", que é o título original do filme, lançado em 2007.
Deixando de lado alguns erros teológicos como o "inferno eterno" e o
"arrebatamento secreto", é um filme que vale a pena ser visto.
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ANTES DE PARTIR
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Rob
Reiner não é o típico diretor-de-aluguel hollywoodiano. Quem tem no
currículo This is Spinal Tap (1984), Conta Comigo (1986) e Harry & Sally
(1989) já se põe acima da média. Mas o fato é que Reiner nem faz muita
diferença em Antes de Partir (The Bucket List). A comédia dramática se
justifica e se apóia, independente de qualquer outra coisa, no carisma
de Jack Nicholson e Morgan Freeman.
Nicholson vive Edward Cole, milionário gestor de hospitais cujo lema é
um número: dois leitos por quarto, nunca menos. Freeman é Carter
Chambers, um mecânico que abandonou seus sonhos de juventude quando viu
que teria uma família para alimentar. Quando os dois ficam
fulminantemente doentes, seus caminhos se cruzam.
E se cruzam porque, para não desonrar seu lema, Edward, o dono do
hospital, acaba no mesmo quarto de Carter. O estranhamento inicial logo
se transforma em apoio mútuo. Ambos têm poucos meses de vida, e só um
doente terminal para entender o tipo de drama que o outro vivencia. Do
nada, Edward convence Carter a fugir e botar em prática uma lista de
últimos - e excêntricos - desejos antes de "baterem as botas". Nos EUA,
a expressão usada nesses casos é "chutar o balde", daí o título original
do filme, A Lista do Balde.
Pouco antes das filmagens, por uma funesta coincidência, Nicholson teve
que ser submetido a uma intervenção cirúrgica que o deixou de molho por
meses. O fato de interpretar um personagem turrão à beira da morte
evidentemente transtornou o ator - e o filme se beneficia do estado de
espírito indômito de Nicholson. Ele atua com um senso de urgência que
enriquece o personagem, em interessante contraste com a pose sempre
professoral de Freeman. ...
Em entrevistas, Reiner diz que sua intenção principal era equilibrar bem
o drama da pesada premissa com algum humor, e fazer com que o sentimento
não descambasse para o sentimentalismo. Nesse ponto, ele realmente sai
vitorioso. Antes de Partir lembra-nos a todo instante da situação pela
qual passam os dois personagens - e, principalmente, faz isso com uma
dureza visual que inviabiliza o água-com-açucar.
Exemplos: a hora em que Feeeman percebe que o catéter estourou e sua
camisa ficou toda suja de sangue, ou a gigantesca cicatriz na careca de
Nicholson. Rob Reiner não se furta a filmar a doença em close-up;
meias-palavras e esquivas, ademais, não são muito freqüentes nos filmes
do diretor. O tratamento que Antes de Partir dá ao drama chega a ser
estranho, como quando o personagem de Nicholson recebe, com um close-up
em seus óculos refletores, a notícia de que tem poucos meses de vida. É
um plano de um anti-sentimentalismo realmente estranho, absurdo até.
E dizer que um filme é estranho e absurdo, vale lembrar, conta sempre
como elogio.
(Marcelo Hessel, Omelete)
Nota: Gostei especialmente do diálogo dos atores a respeito da
existência de Deus e do fato de o filme mostrar que, no fim das contas,
o que mais importa não é o que conseguimos acumular em vida, mas os
relacionamentos que construímos e as vidas que tocamos.
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O CAÇADOR DE PIPAS
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O filme
“O Caçador de Pipas” (The Kite Runner, EUA, 2007) é a adaptação do belo
e aclamado livro homônimo do afegão Khaled Hosseini. A emocionante
história dos amigos Amir e Hassan tem como cenário os últimos anos da
monarquia do Afeganistão, na década de 1970. É uma narrativa cheia de
metáforas que envolvem importantes aspectos da vida como amor, honra,
culpa, medo, traição e redenção. No primeiro capítulo do livro, Amir
afirma ter descoberto que “não é verdade o que dizem a respeito do
passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou
de outro, ele sempre consegue escapar. Olhando para trás, agora, percebo
que passei os últimos vinte e seis anos da minha vida espiando aquele
beco deserto”. O tal beco foi palco de um crime que atormenta Amir por
longos anos. E o filme tenta mostrar que todos têm uma chance de voltar
a ser bons e devem enfrentar os “fantasmas” do passado.
Umas das metáforas é o próprio símbolo que dá nome ao livro e ao filme:
a pipa. O brinquedo remete Amir aos anos felizes da infância. Com a
dominação talibã, após a invasão russa, até essa inocente brincadeira é
banida do Afeganistão. E a inocência é banida da vida de Amir.
Fugindo da guerra, Amir e seu pai se mudam para os Estados Unidos em
busca de vida nova. Amir se forma na faculdade de Medicina, conquista
seu grande objetivo de publicar um livro, casa-se com uma jovem filha de
um general afegão, mas, mesmo assim, os ecos da infância não silenciam.
Até que um amigo doente que havia ido morar no Paquistão lhe telefona,
faz um convite, propõe um desafio e oferece a chance que Amir precisava
para fazer as pazes com seu passado.
O filme termina com o personagem novamente empinando uma pipa e deixa a
sugestão implícita de que o perdão e a paz podem nos fazer sentir leves
como um brinquedo de papel voando no céu. A redenção está ao alcance de
todos. Basta querer.
Apesar de não ter comparação com a história comovente criada por
Hosseini, o filme vale a pena e agrada aos que leram o romance, com a
ressalva de que há pelo menos dois momentos fortemente dramáticos que
tornam a produção não recomendável para crianças.
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A CARNE É FRACA
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Você ainda é
carnívoro? Não conhece a grande realidade da industria bovina e da
granja? Este é o filme certo. Este documentário feito pelo
Instituto Nina Rosa,
uma ONG sem fins lucrativos, foi indicado para o Festival Internacional
de Cinema Ambiental.
“Alguma vez você já pensou sobre a trajetória de um bife antes de chegar
ao seu prato? Nós pesquisamos isso para você e contamos neste
documentário aquilo que não é divulgado. Saiba dos impactos que esse ato
– aparentemente banal – de consumir carne representa para a sua saúde,
para os animais e para o Planeta.” – Sinopse
feita pelos produtores.
O documentário conta com depoimentos dos
jornalistas Washigton Novaes e
Dagomir Marquezi,
entre outros, como pesquisadores universitários.
É surpreendente, 80 por cento das pessoas que
assistem ao filme nunca mais agem da mesma forma ao comer carne, sempre
com um peso na consciência, e muitos, muitos mesmo, passaram a se tornar
vegetarianos após ver esse filme, pois ele “abre os olhos”.
O filme apresenta algumas cenas fortes sobre o processo industrial da
granja, do abate dos bovinos, entre outros animais. Algumas cenas são
marcantes, como o abate dos bois; como tratam as galinhas, o famoso
babybife,
a “escolha” dos pintinhos. Porém, necessárias, pois esta é a intenção:
causar impacto nas pessoas, pois de certa forma, infelizmente, a maioria
hoje só toma uma atitude depois de um impacto muito grande.
Recomendo para todos. As crianças podem ficar um pouco traumatizadas,
mas também poderão deixar de comer carne pelo resto de suas vidas, e
passarão a ter mais compaixão pelos animais, e repudiar a morte e a
desumanidade.
(Evandro)
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COMPROMISSO PRECIOSO
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Em setembro, a
deputada Gabriele Pauli,
da Alemanha, propôs nova lei segundo a qual casamentos valeriam por
apenas sete anos e teriam que ser renovados depois desse período. A
deputada disse que depois de sete anos os cônjuges poderiam renovar os
votos do casamento por mais tempo. Segundo Pauli,
a medida evitaria os altos custos de uma separação. Na Alemanha, quase a
metade dos casamentos acaba em divórcio, o que não é muito diferente
aqui no Brasil.
A proposta da deputada ilustra bem a maneira como muita gente encara o
matrimônio em nossos dias: como um simples contrato que pode ser
desfeito a qualquer momento.
Para fazer frente a essa tendência, a World
Wide Pictures
pruduziu “A Vow
to Cherish” (traduzido como “Compromisso
Perfeito”), a comovente história de uma família que, de repente, tem que
encarar o drama do Mal de Alzheimer. Seria o voto matrimonial suficiente
para manter unidos John e Ellen Brighton, um
casal de meia idade, mesmo em meio aos problemas profissionais e
familiares que surgem no decorrer da trama?
Phil Brighton,
irmão e sócio de John, diferente do irmão, não leva a vida e os
relacionamentos a sério e serve de contraponto às virtudes de John. A
vida de ambos ilustra o contraste que há entre aqueles que lutam para
manter um casamento feliz e abençoado e os que vivem de relações
descartáveis. Onde está a verdadeira realização?
O elenco inclui Bárbara Babcock (“Um Sonho
Distante”), Ossie Davis (“Dr.
Dolittle”) e Donna
Bullock (“Força Aérea Um”), entre outros
bons atores.
Um ótimo filme para se ver
em família.
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CONQUISTA DE REIS
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Depois da
destruição da Assíria, os vitoriosos babilônicos ficaram com as terras
baixas da Mesopotâmia, as quais transformaram-se na base do novo Império
do Oriente Médio, no reino de Nabucodonosor
(605-562
a.C.).
As terras altas do leste passaram ao domínio dos medos. Em
550 a.C.,
Ciro, naquele tempo príncipe da Pérsia e vassalo dos
medos, rebelou-se e derrotou o rei dos medos, juntando mais tarde
medos e persas para fundar o primeiro Império Persa (ou
Aquemênida). Com as campanhas seguintes
somaram-se Ásia Menor, Babilônia, Afeganistão e, depois da morte de
Ciro, o Egito, formando-se assim o maior e mais poderoso império
conhecido até então.
Durante o reinado de Dario (522-486
a.C.),
o império foi organizado em vinte satrapias
(províncias) que pagavam tributos. Dario estabeleceu um código legal
completo, uma moeda estável e um eficiente sistema de correios. A
natureza cosmopolita do império reflete-se no grande palácio construído
por Dario em Persépolis (no sudoeste do
atual Irã), onde os estilos arquitetônicos variam desde colunas lídias
ou gregas a cornijas egípcias.
A área do palácio ocupava uma extensão aproximada de
270 metros
quadrados.
A porta principal estava do lado sul. A noroeste do palácio estava
localizado o espaçoso aposento do trono, chamado
Apadana. O terraço da parte central era sustentado por 36 belas
colunas com estrias verticais e capitéis esculpidos, dispostas em seis
fileiras de seis colunas cada. No aposento do trono havia muito ouro,
prata e pedras preciosas.
A satrapia persa é uma verdadeira delegação
de poderes. Ela reconhecia as identidades e as autonomias locais. Cada
região conservava sua própria língua, suas leis, seus costumes, sua
moral, sua religião e seus deuses (às vezes até mesmo seus chefes, como
ocorreu na Fenícia, no Egito e na Palestina). Daí o porquê da relativa
liberdade que os judeus dispersos desfrutaram no Império Persa. Esse
modo de ver e de organizar as relações entre o soberano persa e as
múltiplas etnias vassalas justifica o título de “rei dos reis” usado
pelos soberanos aquemênidas.
Esse é o cenário histórico do filme “Conquista de Reis”, baseado na
história bíblica de Ester. Xerxes I (ou
Assuero) tornou-se rei do vasto império
persa cerca de
485 a.C.,
aproximadamente cem anos depois da queda de Jerusalém sob domínio
babilônico. O livro de Ester é, portanto, uma fatia da história da vida
dos judeus exilados na Pérsia. Ester descendia desses judeus exilados.
Como sempre acontece nessas adaptações de histórias bíblicas para o
cinema, o filme tem alguns detalhes ficcionais, mas em geral é bastante
fiel às Escrituras. Com produção de primeira, o elenco conta com ícones
como Omar Sharif e Peter O’toole.
Intrigas palacianas, traição, honra, justiça
e confiança em Deus são ingredientes da trama. Além disso, o toque de
romantismo adicionado à história de Xerxes e
Ester torna o filme ainda mais agradável.
Vale a pena conferir.
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DESAFIANDO GIGANTES
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Quem nunca teve
que enfrentar grandes desafios na vida? A diferença entre o vencedor e o
perdedor pode estar em sua fonte de apoio. Em seis anos como técnico de
futebol americano de uma escola, Grant Taylor não consegue levar seu
time, o Shiloh Eagles,
a uma temporada de vitórias. Por isso, todos começam a vê-lo como um
derrotado e a direção da escola pensa em demiti-lo.
Em casa, as dificuldades também o jogam mais para o fundo do poço. A
esposa quer muito ter um filho e, depois de alguns exames, o casal
descobre que o problema está com ele. Como os tratamentos de fertilidade
são caros, a idéia do filho é deixada de lado. Depois de tantos reveses,
o pensamento de desistir de tudo lhe passa pela cabeça. Até que um
visitante inesperado o desafia a acreditar no poder da fé. E é na oração
e na leitura da Bíblia que Taylor descobre a força da perseverança para
vencer.
Depois de descobrir que a Bíblia pode ser a solução para sua vida,
Taylor passa a usá-la no trabalho, contagiando os jovens que treina e
promovendo mudanças na vida deles também.
A direção é de Alex Kendrick (que também é o
ator principal) e a distribuidora é a Sony Pictures.
Mesmo quem não entende nada de futebol americano (ou ache o esporte
muito violento, como é o meu caso), pode se emocionar com essa produção
que relaciona a fé em Deus às lutas e situações do dia-a-dia.
Embora certas situações e o desempenho dos atores deixem um pouco a
desejar em alguns momentos, a produção tem qualidade comparável à dos
típicos filmes hollywoodianos. A trilha
sonora também ajuda bastante.
Dá para se promover boas discussões sobre fé prática, estudo da Bíblia,
oração e testemunho.
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ENTRE DOIS MUNDOS
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O filme “Entre Dois Mundos”,
dirigido por Vic Sarin,
mostra o quanto o preconceito e o ódio inspirados pela religião podem
ser destrutivos. Com o fim da dominação inglesa sobre a Índia, em 1947,
o país passou a enfrentar os efeitos do esfacelamento e da intolerância
entre muçulmanos, sikhs e hindus. De início,
a divisão em duas nações distintas - Índia e Paquistão - foi bem
acolhida por alguns muçulmanos como uma solução para os conflitos
inter-religiosos. Mas essa iniciativa acabou gerando uma migração em
massa, obrigando os hindus a abandonarem suas terras e viajarem para o
sul, enquanto os muçulmanos se deslocaram para o norte. Milhares de
pessoas, ao cruzar a fronteira, foram assassinadas, especialmente as
mulheres.
Num desses ataques contra um grupo de refugiados muçulmanos,
Nassem (Kristin
Kreuk, de
Smallville)
é salva por um ex-soldado sikh chamado
Gian. O jovem, cansado dos horrores da
guerra, se refugia numa vida simples de agricultor e se vê obrigado a
enfrentar os próprios conterrâneos para defender a moça por quem acaba
se apaixonando.
É um drama bem construído que mostra que o amor verdadeiro pode
sobrepujar diferenças raciais e religiosas. O caráter bondoso de
Gian e sua decisão de acolher a muçulmana
Nassem até lembram a história bíblica de
Rute e do nobre Boaz.
Quando Nassem descobre que sua família está
viva no Paquistão, o que parecia a possibilidade de um feliz reencontro
acaba se tornando no pior pesadelo de sua vida.
Infelizmente, a tragédia retratada no filme parece longe de ter fim, já
que, desde sua independência da Grã-Betanha,
a Índia e o Paquistão já travaram três guerras pelo controle da
Caxemira, que foi dividida entre os dois
países.
O filme é bom, mas deixe algumas caixas de lenços à mão...
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ESCRITORES
DA LIBERDADE
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Quem é você? E as pessoas com as
quais todo o dia interage? Com que profundidade conhece os seus colegas
de trabalho? Se atua em educação, quais são
as informações que possui a respeito de seus alunos? Normalmente temos
apenas uma visão superficial e pouco clara da maior parte dos
relacionamentos que estabelecemos ao longo de nossas existências. E será
que estamos preocupados com isso?
Em se tratando de escolas, por exemplo, em muitos casos parece que o
nosso único dever é o de ministrar aulas, passar conteúdos, preencher
cadernetas, corrigir provas, cumprir cronogramas e planejamentos. O que
não parece muito diferente daquilo que acontece em tantos outros setores
produtivos da sociedade, sejam eles hospitais ou escritórios, fábricas
ou lojas,...
Bater cartão, cumprir responsabilidades variadas, entregar resultados e
atingir metas. Viver dentro de um sistema em que a
meritocracia é o principal indicador de valor social nos
distancia cada vez mais uns dos outros e, aos poucos, vai minando (a
ponto de destruir em certos casos) a nossa humanidade. Devo esclarecer,
dede já, que não sou contrário à produtividade, ao ganho, ao crescimento
profissional e ao desenvolvimento econômico de pessoas, empresas e
países.
No entanto creio que todos têm que ponderar questões e situações do
mundo real que afetam a coletividade e que colocam barreiras e
criam problemas a nossa existência. O debate
sobre o aquecimento global, por exemplo, é um caso mais do que premente
e fundamental para a existência de todas as formas de vida residentes
nesse planeta. Da mesma forma, enquanto não nos preocuparmos
sinceramente uns com os outros, iniciando essa ação a partir das pessoas
que nos são mais próximas e presentes, como podemos imaginar que as
questões globais poderão ser resolvidas?
“Escritores da Liberdade”, filme do diretor Richard
LaGravenese, estrelado pela talentosa
atriz Hillary Swank (duas vezes premiada com
o Oscar, pelos filmes “Menina de Ouro” e “Meninos não choram”), baseado
em história real, nos coloca em contato com uma experiência das mais
enriquecedoras e necessárias. Sua trama gira em torno da necessidade de
criarmos vínculos reais em sala de aula, conhecendo nossos alunos,
despertando para suas histórias de vida, entendendo o que os motiva a
ser as pessoas que são.
Emocionante relato de uma experiência bem-sucedida que ainda está em
desenvolvimento, “Escritores da Liberdade” tem tudo para se tornar um
novo libelo do cinema em prol da educação mais efetiva (como “Sociedade
dos Poetas Mortos” ou “A corrente do Bem”), onde se respeitam alunos e
professores e também em que as pessoas se percebem em suas
particularidades e se permitem construir, conjuntamente, como aliados,
um futuro melhor para todos. Imperdível!
Cansada do trabalho em empresas que desenvolvia até aquele momento e
desiludida quanto às possibilidades de crescimento e realização pessoal
naquele âmbito profissional, a jovem Erin
Gruwell (Hillary Swank)
resolve mudar de ares e dedicar-se à educação. Assume então uma turma de
alunos problemáticos de uma escola que não está nem um pouco disposta a
investir ou mesmo acreditar naqueles garotos.
A pecha de turma difícil, pouco afeita aos estudos e que vai à escola
apenas para “cumprir tabela” se mostra, no começo da relação entre a
nova professora e os alunos, uma realidade. O grupo, formado por jovens
de diferentes origens étnicas (orientais, latinos e negros), demonstra
intolerância e resistência à interação, preferindo isolar-se em guetos
dentro da própria sala de aula.
A nova professora é vista por todos como representante do domínio dos
brancos nos Estados Unidos. Os estudantes a entendem como responsável
por fazer com que eles se sujeitem à dominação dos valores dos brancos
perpetrados nas escolas. Suas iniciativas para conseguir quebrar essas
barreiras aos relacionamentos dentro da sala de aula vão, uma a uma,
resultando em frustrações.
Apesar de aos poucos demonstrar desânimo em relação às chances de êxito
no trabalho com aquele grupo, Erin não
desiste de sua empreitada. Mesmo não contando com o apoio da direção da
escola e dos demais professores, ela acredita que há possibilidades
reais de superar as mazelas sociais e étnicas ali existentes. Para isso,
cria um projeto de leitura e escrita, iniciado com o livro
O Diário de Anne Frank,
em que os alunos poderão registrar em cadernos
personalizados o que quiserem sobre suas vidas, relações,
interações, idéias de mundo, leituras...
Ao criar um elo de contato com o mundo, Erin
fornece aos alunos um elemento real de comunicação que lhes permite se
libertar de seus medos, anseios, aflições e inseguranças. Partindo do
exemplo de Anne Frank, menina judia alemã, branca
como a professora, que sofreu perseguições por parte dos nazistas até
perder a vida durante a 2ª Guerra Mundial, Erin
consegue mostrar aos alunos que os impedimentos e situações de exclusão
e preconceito podem afetar a todos, independentemente da cor da pele, da
origem étnica, da religião, do saldo bancário.
“Escritores da Liberdade” é uma fabulosa história de vida que nos mostra
como as palavras podem emancipar as pessoas e de que forma a educação, a
cultura e o conhecimento são as bases para que um mundo melhor realmente
aconteça e se efetive.
Lições:
1. Ame ao próximo como a si mesmo. O ensino cristão baseado nas palavras
de Jesus Cristo não é devidamente compreendido como deveria. As pessoas
costumam levar as palavras ao pé da letra e associar esse breve e
profundo enunciado ao verbo amar em seu sentido mais literal. Poucos são
aqueles que extrapolam a compreensão mais imediata do vocábulo e o
entendem, nesse contexto, como respeitar o próximo, tratá-lo com
decência ou ainda admitir as diferenças e valorizá-las como parte da
diversidade humana que nos leva ao crescimento. Parece que sempre
queremos impor princípios, modelos, práticas e ações que levem os demais
a serem parecidos conosco. Falamos em demasia e escutamos muito pouco.
As próprias escolas, em particular aquelas que ainda baseiam sua ação
quase que exclusivamente no modelo mais tradicional de educação,
realizam monólogos e dão pouca vazão ao conhecimento e à história de
vida dos alunos. Desvaloriza-se tudo aquilo que o estudante tem de
experiência ao mesmo tempo em que se lhes impõe, goela abaixo, saberes
que são considerados “essenciais” aos mesmos... Será que não está na
hora de rever tudo isso?
2. A intolerância é, sabidamente, cultural. É um conceito construído ao
longo de nossas existências. A tolerância, em contrapartida, parece
nascer com cada ser humano. As crianças constituem o maior exemplo
disso. Não há cerceamentos e restrições no contato com outros seres
humanos entre os pequenos. Para eles, o importante é interargir,
brincar, trocar, tocar, abraçar, jogar... Será que podemos aprender as
lições das crianças?
3. Ler e escrever são elementos básicos da civilidade. Projetos de
leitura, atividades de produção escrita regular, valorização dos livros
e da literatura, espaços para a divulgação daquilo que está sendo
produzido nas escolas pelos alunos no que tange a textos ou ainda à
ampliação dos espaços de leitura são realidades e preocupações que vemos
em nossas escolas?
(João Luís Almeida Machado, editor do Portal Planeta Educação,
doutorando pela PUC-SP no programa Educação: Currículo, mestre em
Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie(SP), professor universitário e pesquisador)
Nota: É um ótimo filme, mas não deve ser visto por crianças, uma vez que
contém cenas de violência e descrição de realidades que exigem certa
maturidade de quem o assiste.
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HOMENS DE HONRA
topo
Promessas de
filho para pai, persistência, honra e glória. Temas recorrentes na
literatura e no cinema. De tempos em tempos, porém, alguém requenta os
velhos clichês de maneira eficiente, já que uma lição de vida não faz
mal a ninguém. Baseado na história real de Carl
Brashear, "Homens de Honra" (EUA, 2000) mostra o velho embate
entre o recruta e o oficial na Marinha, mas fica
degraus acima de seus similares, em boa parte graças às
interpretações na medida de Robert DeNiro e
Cuba Gooding Jr.
Situada nos anos
40, a
história mostra as esperanças de Carl (Gooding),
filho de um lavrador humilde, em ser alguém na Marinha. Porém, ao chegar
no navio, descobre que os negros são recrutados somente para trabalhar
na cozinha. Banhos de mar, para os oficiais "de cor", somente às
segundas-feiras. Eis que Carl, um belo dia, resolve tomar banho fora do
horário determinado e mostrar aos superiores seus dotes como nadador.
Após ser preso, consegue, com a ajuda do capitão
Pullman (Powers
Boothe), uma vaga como marinheiro salva-vidas.
Seu sonho, porém, é ser mergulhador da Marinha. Após dois anos de
tentativas, consegue chegar à obscura escola de mergulho, comandada por
Leslie Sunday (DeNiro).
Lá, seguem-se as cenas de praxe, entre elas a que todos os outros
recrutas deixam o alojamento no momento
em que Carl
entra. Claro que sobra para ele um amigo, o tímido e gago
Snowhill (Michael
Rapaport). Não há dúvida de que o filme mostra Carl como a pessoa
mais perfeita e determinada do mundo, além do melhor mergulhador que a
Marinha americana já teve...
Uma curiosidade no elenco é a presença de Charlize
Theron, uma das jovens atrizes de maior
prestígio no cinema atual. Charlize tem uma
pequena participação, como a jovem esposa de Robert
DeNiro. Mas suas cenas não são lá essas coisas.
Nunca se sabe, em filmes baseados em história real, o quanto há de
verdade. Mas o preconceito não é atenuado pelo diretor George
Tillman Jr., que, aliás, também é negro.
Este é o segundo filme do cineasta, que estreou com o igualmente
melodramático "Sempre aos Domingos", que enfoca a tradição do almoço
dominical de uma família afro-americana.
Apesar de "formulaico" e longo demais, o
roteiro acerta em cheio no desfecho, que, claro, ocorre em um tribunal
militar. Após perder uma perna em acidente, Carl é obrigado a andar com
uma roupa de mergulho com mais de 100 quilos para provar que ainda é
capaz de continuar na profissão. E você pensava que sua vida era um
calvário...
(Terra
Cinema)
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IRMÃO
SOL IRMÃ LUA
topo
Francisco nasceu por volta de 1182,
na cidadela italiana de Assis. Filho de comerciantes de tecidos, ele
poderia ter sido um próspero burguês. Mas não. Em certo momento da vida,
aos 26 ou 27 anos de idade, o jovem optou pela pobreza, pelo pacifismo e
pela caridade.
Conforme a
Revista das Religiões
de outubro de 2004, “ao contrário de seus contemporâneos, [Francisco]
não desvinculou a fé da realidade cotidiana. Pelo contrário. Em cada
rosto, encontrava o próprio Cristo. Em qualquer manifestação da natureza
– dos astros aos animais e às plantas – enxergava o carinho de Deus. Foi
um homem de seu tempo, mas não se prendeu a ele. E, por isso, foi
considerado santo: São Francisco de Assis”.
Conta-se que Francisco teria percorrido o mundo para pregar o amor ao
próximo. Em 1219, teria ido ao Egito para conversar com o sultão
Melekel Kamel e
lhe propor a paz, numa época em que cristãos e muçulmanos guerreavam por
Jerusalém.
Sobre sua conversão, Francisco escreveu em
Testamento,
um dos poucos escritos que deixou: “Quando ainda estava em pecado,
parecia muito amargo ver os leprosos, mas o próprio Senhor me levou a
estar com eles e eu usei de misericórdia: quando me afastei dali, aquilo
que me parecia amargo rapidamente transformou-se em doçura de alma e de
corpo. Em seguida, esperei um pouco e saí do mundo.”
Era realmente um homem especial. Segundo vários livros, Francisco andava
com cuidado para não pisar em nenhum inseto ou planta. Passava sobre as
pedras com reverência e afastava, carinhosamente, lesmas e formigas do
caminho – para que ninguém, sem querer, as machucasse.
Segundo o teólogo Inácio Strieder, da
Universidade Federal de Pernambuco, o
franciscanismo (que depois viria a se tornar ordem religiosa)
“foi um movimento pelo amor e pela paz, que colocava em prática o
evangelho como jamais a Igreja o fizera após Jesus Cristo”. De fato, a
vida e as atitudes simples de Francisco contrastavam com a opulência de
Roma e eram-lhe uma viva reprovação.
No filme “Irmão Sol, Irmã Lua” (Itália, 1972), dirigido por Franco
Zeffirelli, é apresentada a história de
Francisco de Assis. O filme focaliza os primeiros anos da vida do jovem
- numa época de obscurantismo e falta de genuíno amor - e mostra a
surpreendente experiência que transformou Francisco num exemplo de
cristão para o mundo. Um mundo que hoje, mais do que nunca, carece de
Franciscos e Franciscas.
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NÁUFRAGO
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Chuck
Noland (Tom Hanks) é um inspetor da Federal Express (FedEx),
multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências, que tem
por função checar vários escritórios da empresa pelo planeta. Porém, em
uma de suas costumeiras viagens ocorre um acidente, que o deixa preso em
uma ilha completamente deserta por quatro anos. Com sua noiva (Helen
Hunt) e seus amigos imaginando que ele morrera no acidente, Chuck
precisa lutar para sobreviver, tanto fisicamente quanto emocionalmente,
a fim de que um dia consiga retornar à civilização.
(Movieguide)
Nota: Como puro entretenimento, é um filme interessante.
Não deixe de ler o texto “A esperança dos náufragos”, no blog www.michelsonborges.com
Na avaliação de Erick Pessoa (no Movieguide):
“Por incrível que pareça, o filme não perde a qualidade de narração no
segundo ato, onde o personagem de Hanks ‘divide’ a cena apenas com seu
amigo imaginário Wilson - materializado em uma bola de vôlei; muito pelo
contrário, seu problema está exatamente no início e na parte final da
trama. Aliás ‘Naufrago’ é um exemplo concreto de que não existe fórmula
para um bom roteiro; primeiro porque consegue inserir o problema central
nos primeiros 30 minutos de filme, mas em detrimento de uma filmagem
acelerada no primeiro ato, fazendo com que a vida de Noland pareça um
inferno e quase nos faz acreditar que se ele não fosse parar naquela
ilha, provavelmente, teria um enfarte. O único problema é que a ilha em
si é extremamente inóspita e essa hostilidade do ambiente é que nos
envolve para torcer para que Noland volte para a ‘civilização’. Ou seja,
o começo turbulento comprometeu completamente a primeira parte e como se
não bastasse William Broyles Jr. opta por um desfecho convencional,
pouco criativo e decepcionante. A grande compensação está na parte
central do filme que é excelente. A interpretação de Tom Hanks é um show
e o ator consegue cativar a atenção do espectador com facilidade.
Durante o desenrolar das desventuras de Noland, vemos um homem regido ao
extremo pela doutrina de ‘tempos e movimentos’, preso em uma ilha,
absolutamente impotente em relação aos compromissos, em um local
esquecido pelo cronômetro. O elo entre Noland e a hora marcada, passa a
ser simbolizado pelo relógio de bolso, presente de sua namorada (Helen
Hunt), mas que teve a sua importância transferida dos ponteiros para a
capa do mostrador, onde se encontra o retrato da moça. E nessa transição
da atenção é que Noland percebe o que era realmente importante e o
relógio passa a ser nada mais do que um porta-retrato. Simplesmente uma
moldura para que ele admire o rosto de Kelly.
“Vivendo uma situação tão adversa, Noland projeta seu amigo imaginário
na bola de vôlei Wilson, um ‘personagem’ inventado para ser a ‘válvula
de escape’ dos pensamentos do protagonista e desta maneira dispensando
não só a locução em off como o narrador (o que foi uma ótima percepção
do roteirista). No entanto, o talento de Hanks extrapolou a si próprio e
não só deu vida para Wilson, como fez com que o público,
despercebidamente, estabelecesse uma afinidade com o ‘objeto’. [...]
“Vale a pena mencionar o grande esforço de Hanks que perdeu 30 quilos
para conferir veracidade ao seu personagem. Um feito que certamente
ajudou a produção a receber duas indicações ao Oscar, nas categorias de
Melhor Ator (Tom Hanks) e Melhor Som, além de ganhar um Globo de Ouro,
na categoria de Melhor Ator em Drama (Tom Hanks).”
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O ÓLEO DE LORENZO
topo
Em 1984, um
médico diagnostifica em um garoto uma doença
rara, dando-lhe no máximo mais dois anos de vida. Inconformados com essa
situação, os pais passam então a pesquisar sobre a doença, a fim de
encontrar algo que possa ajudar o filho. Dirigido por George Miller (Mad
Max) e com Nick Nolte,
Susan Sarandon e Peter
Ustinov no elenco, o filme recebeu duas indicações ao Oscar.
Baseado em história verídica, "O Óleo de Lorenzo" é um filme emocionante
por tratar com seriedade um tema polêmico: até onde devemos nos submeter
a um tratamento médico quando este não apresenta cura para uma doença?
Aqui, o papel da medicina foi substituído pela dedicação dos pais de
Lorenzo Odone (muito bem interpretados pelos
sempre competentes Nick
Nolte e Susan Sarandon), que lutaram
para descobrir o único tratamento realmente eficaz contra a ALD,
enquanto os ditos cientistas se preocupavam muito mais com questões
financeiras relacionadas com seus hospitais e suas carreiras.
Como se não bastasse o forte contexto em que está inserido, o filme
ainda conta com a boa direção de George Miller, que valoriza ainda mais
a narrativa da história.
(Marcos Ribeiro)
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ORGULHO E PRECONCEITO
topo
O grande problema de um roteirista
ao adaptar um livro para o cinema, seja ele qual for, é conseguir captar
todas as nuances que o escritor deu ao seu trabalho na transposição.
Justamente na forma como o roteiro de "Orgulho e Preconceito" foi
tratado que reside o seu maior defeito: falta-lhe a ironia fina, a sagaz
observação aos padrões da época que permeia cada entrelinha dos escritos
de Jane Austen.
Austen (1775-1817), nascida em
Hampshire, Inglaterra, foi
a filha caçula de oito irmãos de uma família
tradicional. Escreveu, aos quinze anos de idade, seu primeiro romance,
Amor e Amizade,
e em 1796 deu cabo a
Primeiras Impressões,
que acabou sendo recusado por um editor. Austen
então o reescreveu totalmente, e o rebatizou de
Orgulho e Preconceito,
sendo este lançado somente em 1813, e que acabou se tornando seu romance
mais famoso.
Orgulho e Preconceito,
assim como as demais obras de
Austen, acabou recebendo várias adaptações para o cinema.
Greer Garson e
Laurence Olivier, em 1940, já travavam as
batalhas intelectuais do romance. Em 1995, foi a vez de Jennifer
Ehle e Colin
Firth, em uma aclamada minissérie feita para
a televisão britânica. Dessa vez, os papéis principais ficaram com a
irradiante Keira
Knightley e o soberbo Matthew
Macfadyen.
A história do filme (ou do livro, como preferir) se centra na
tradicional família Bennet, onde Sr. (Donald
Sutherland, em notável atuação) e Sra.
Bennet (Brenda Blethyn,
escorregando de vez em quando) estão às voltas com o alvoroço que um
recém-vizinho rico, Sr. Bingley (Simon
Woods), tem causado em suas cinco filhas,
principalmente em Jane (Rosamund
Pike), que enxerga nele o casamento dos seus
sonhos. Naquela época, o enlace matrimonial era coisa séria: não casar
significaria à pobre moça o estigma de solteirona, perdedora e infeliz.
Portanto, não casar não era uma atitude feminista, simplesmente não era
adequado à época.
Elizabeth Bennet (Knightley) é uma moça à
frente do seu tempo. Não tão bonita quanto a sua irmã e de uma
sagacidade e inteligência superior, ela enxerga com outros olhos a vida
e o seu destino. Mas acaba envolvida com o melhor amigo do
Sr. Bingley, o
aristocrata e pedante Sr. Darcy (Macfadyen).
Inicialmente, como em toda história de amor que se preze, eles não se
bicam: ela, por achá-lo soberbo; ele, por desprezar a condição social
dela. Depois, ele acaba por se apaixonar por ela e, mesmo amarrado aos
preceitos da época, se declara, mas é rejeitado. Até que enfim acertam
os ponteiros.
É uma história de amor, sim, e das mais belas, mas o que falta ao filme
é exatamente um olhar mais satírico por parte da roteirista estreante
em cinema
Deborah Moggach.
Tanto é que o filme muitas vezes percorre a perigosa linha do "filme
açucarado de mulherzinha". Mas há de elogiar o roteiro em uma questão:
há diálogos inteiros do livro fielmente transpostos, algo
rarísismo de se ver hoje em dia, o que prova
que a roteirista manteve, acima de tudo, o respeito pela obra em
questão.
O diretor Joe Wright,
egresso da tevê e também estreante na tela grande, faz um trabalho
bastante acadêmico, bem quadradinho. Pausado, não tem pressa em
construir seus personagens e consegue envolver o espectador – e nesse
ponto ajuda, e muito, a climática e solar trilha de Dario
Marianelli. Em certo momento, a câmera de
Wright passeia por cômodos mostrando vários
personagens, em um belo momento de arrojo. Deve ter deixado James
Ivory morrendo de inveja.
(Por Andy Malafaya,
no site
Cineplayers)
Nota:
Para quem gosta do gênero, é um belo romance sem cenas reprováveis
(coisa rara). É apropriado para discussão de valores e para comparações
com os padrões morais de nossos dias e os comportamentos associados ao
namoro e casamento. Um pouco do respeito que se dava à instituição na
época (sem exageros, é claro) seria bom resgatar.
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À PROCURA DA FELICIDADE
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O que é
felicidade? Certamente há algumas respostas possíveis, mas se você
perguntar para um pai de família desempregado, incapaz até mesmo de
pagar o aluguel de uma pensão e responsável por criar sozinho o filho de
cinco anos (já que a mulher acabou por abandoná-lo), ele certamente dirá
que felicidade é ter um emprego que lhe dê dignidade e capacidade de
manter a família.
“À Procura da Felicidade” é a história de muitos cidadãos ao redor do
mundo, que lutam por uma vida melhor e não cruzam os braços esperando
que tudo caia do céu. Não deixa de ser também uma denúncia contra o
capitalismo selvagem que sufoca as pessoas e tem níveis de exigência
quase absurdos para que se possa alcançar a tão almejada estabilidade
financeira.
Mas o que mais chama atenção na trama (inspirada numa história real) é a
integridade de Chris
Gardner (Will Smith). Ele tenta
vencer de forma honesta, sem apelar para mentiras a fim de conseguir o
ambicionado emprego de corretor de ações. Numa época em que uns pisam
nos outros e não relutam em vender a dignidade para
conquistar status e encher os bolsos, a mensagem do filme é mais
do que necessária.
Quando chega ao fundo do poço, Gardner ainda
encontra tempo para se preocupar com a formação do filho (seu exemplo de
honestidade certamente fala mais alto) e para estudar um manual volumoso
que poderá lhe garantir o cargo desejado na empresa onde depois de muito
esforço consegue inicialmente estagiar sem remuneração.
Detalhe: o menino que interpreta o filho de Smith no filme,
Jaden Smith, é filho dele na vida real. E
nem é preciso dizer que a atuação de ambos é fantástica.
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O QUARTO SÁBIO
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Com Martin
Shenn, Alan Arkin,
Eillen Bennan e
direção de Michael Ray Rhodes, "O Quarto Sábio" conta
a história de um homem sábio em busca do
verdadeiro sentido da vida. Filho de um rei da antiga Pérsia, o sábio
procura nas Sagradas Escrituras o significado real da vida e descobre as
profecias sobre Jesus, o Rei dos reis. O plano dele é encontrar-se com
os três reis magos no deserto para irem ao encontro do Rei Jesus. Mas,
depois de uma série de percalços, o sábio somente consegue encontrar
Jesus no fim de sua vida. E encontra também a resposta que procurava.
Baseado no clássico de Henry Van
Dyke, o filme (apesar de ser ficção) é
realmente emocionante.
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QUASE DEUSES
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"Quase Deuses"
(Something the
Lord Made, 2004)
é um achado! Daqueles filmes que você vai locar porque não tem muitas
opções inéditas ou porque um atendente lhe indicou e não se arrependerá.
Alfred Blalock e Vivien
Thomas foram médicos pioneiros em operações cardíacas, numa época em que
todos os cirurgiões renomados seguiam uma lei de nunca tocar no coração
humano e que negros (como Vivien) sofriam
muito com o racismo. A trama aborda desde o início do relacionamento de
amizade entre eles até o final de suas vidas. Ambos faleceram há mais de
20 anos.
Difícil é dizer o que se destaca mais neste filmaço
feito pela HBO e dirigido pelo experiente (e fracassado nos cinemas)
Joseph Sargent (80 anos), que abandonou as
telonas após ser indicado ao Framboesa de
Ouro com seu "Tubarão - A Vingança" (1987) e se manteve firme dirigindo
filmes para a TV, até que a experiência lhe trouxe muitos
Emmys e dois prêmios consecutivos mo
Directors Guild
Of America por "Quase Deuses" e "Warm
Springs".
O roteiro, escrito a quatro mãos por Robert Caswell
e Peter Silverman, soube muito bem colocar
numa mesma panela, sem muita pieguice, vários relacionamentos
importantes na trama. Podemos acompanhar a amizade entre o bruto e
insensível Alfred e Vivien - um orgulhoso
trabalhador que ama o que faz. Outra trama paralela
muito bem desenvolvida é entre Vivien
e sua esposa, pois o salário do marido (que não conseguiu se formar,
apesar de ser tão bom médico quanto seu mentor) mal dá para pagar o
aluguel. O racismo também é muito presente e nos mostra, sem julgamentos
dos personagens (algo raro em filmes que abordam o tema), uma parte
triste da história norte-americana. Sim, temos toda a luta dos médicos
para salvar vidas (bem no estilo "Plantão Médico"), incluindo uma
criança que foi a primeira a receber uma cirurgia no coração em toda a
história.
Alan Rickman e Mos Def funcionam tão bem
juntos, trabalham tão seriamente, mostrando tanta concentração durante
todos os 110 minutos de filme, que mereceram as indicações que ambos
receberam ao Globo de Ouro e Emmy por esse
trabalho.
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A RAINHA
topo
No intervalo de
uma semana, entre o fim de agosto e o começo de setembro de 1997, um
mundo de mudanças se abateu sobre a realeza da Inglaterra. O que era
secular se modernizou, o que era dogmático se flexibilizou e o que era
particular se tornou público. Depois daquela semana, em que morreu a
ex-princesa Diana e Tony Blair elegeu-se
primeiro-ministro, a Rainha Elizabeth II nunca mais foi
a mesma.
O formidável "A Rainha" (The
Queen, 2006), de
Stephen Frears, filme muito
justamente indicado a seis Oscars (incluindo
melhor filme, roteiro original e direção), repassa a semana dia a dia.
Começa com a eleição de Blair, representante
do Partido Trabalhista, reerguido ao poder - depois de 18 anos de
hegemonia do Partido Conservador - com um discurso de reciclagem das
relações de trabalho, incentivando o livre mercado sem deixar de lado a
assistência social. É a famosa Terceira Via que fez de
Blair um superstar do neoliberalismo durante
a segunda metade da década.
Não foi, porém, a agenda ideológica que impulsionou a popularidade de
Blair nos seus primeiros dias de governo. No
mesmo dia da posse, Diana Spencer, acompanhada do namorado
Dodi Al-Fayed,
morre em um acidente de carro
em Paris.
Torpor
generalizado no Palácio de Buckingham. Fica
acordado que a família Spencer de Gales fará um funeral familiar.
Blair telefona para a Rainha. Esta responde
que não fará pronunciamentos oficiais - não cabe à instituição da
realeza comentar a morte de uma pessoa que não faz mais parte da família
real, argumenta. Blair decide então falar às
câmeras em nome do Parlamento. É no emocionado discurso, escrito por um
assessor, que surge pela primeira vez a expressão Princesa do Povo.
Não estranhe se Tony Blair, nas rápidas
atitudes midiáticas tomadas para aliviar a
perda dos ingleses, despontar como protagonista do filme. É a partir de
suas reações que Frears delineia a
personalidade da Rainha. O populismo de Blair
contrasta com a reserva de Elizabeth II, que considera o luto, acima de
tudo, um assunto íntimo. O apego da rainha à instituição que ela
representa - "nunca hasteamos a bandeira real a meio mastro e não será
agora" - é a antítese da retórica televisionada que arquiteta a equipe
do primeiro-ministro.
É de valores que Frears fala, no fundo. E o
ator Michael Sheen, que já havia
interpretado Blair em outra produção de
Frears, o telefilme
The Deal, se sai muito bem
compondo um personagem moralmente complexo. Vista publicamente desde
1997 como uma rancorosa opositora à imagem santa de Diana, Elizabeth II
ganha no filme - e na figura estupenda da atriz Helen
Mirren, indicada ao Oscar - um pouco de
justiça histórica. Seu entendimento do que são os deveres e os limites
de um soberano, sua visão de mundo no que se refere
a privacidade e símbolos públicos, são bem mostrados em "A
Rainha".
Do lado de fora, parece mesmo que a família real só gasta o dinheiro dos
contribuintes ingleses. Do lado de dentro - como o diretor de fotografia
brasileiro Affonso Beato nos mostra sem sensacionalismo, com o maior dos
respeitos, circulando ao redor da rainha sem ofendê-la com dramatizações
de câmera - fica mais fácil entender como é complicado ser
a representação física, humana, diplomática, de um
país inteiro.
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RESGATE ABAIXO DE ZERO
topo
Da região mais inóspita, selvagem e
fria do planeta – e inspirada em uma surpreendente história real – vem a
emocionante história de ação e aventura, de cachorros e homens, de
amizade e lealdade e do comovente espírito de tenacidade e esperança que
deflagraram uma das mais incríveis histórias de sobrevivência de todos
os tempos. Tendo como pano de fundo a gelada e tempestuosa Antártica,
"Resgate Abaixo de Zero" (Eight
Below, 2006) acompanha oito surpreendentes
heróis em apuros no fim do mundo e o homem que seria capaz de fazer de
tudo para trazer seus verdadeiros amigos de volta para casa.
O inclemente inverno da Antártica está apenas começando quando uma
intrépida equipe de exploradores e cientistas em uma missão de pesquisa
– o guia de sobrevivência Jerry
Shepard (Paul Walker), seu melhor amigo e
cartógrafo Cooper (Jason
Biggs) e o ríspido geólogo Davis (Bruce
Greenwood) – escapam por pouco de um
acidente fatal graças à inabalável equipe de oito habilidosos cães de
trenó.
Forçados a deixar o local, os homens têm que abandonar os adorados cães
na região congelada – com a promessa de retornar. Mas quando a
tempestade do século se aproxima, impossibilitando todo e qualquer tipo
de resgate, os cães ficam presos. Agora, enquanto os corajosos e
inteligentes cães – incluindo Maya, a nobre
líder da matilha; o rebelde e inquieto Shorty;
e Max, o jovem
trainee
em
ascensão – lutam para sobreviver ao inverno mais rigoroso do planeta, o
inconsolável Jerry está determinado a
organizar uma missão para um resgate aparentemente
impossível, auxiliado pela bela e aventureira piloto especializada em
baixa altitude Katie (Moon
Bloodgood). Unidos apenas por firmes laços
de amizade, tanto humanos como cães empreendem uma notável jornada de
resistência, perseverança e determinação para se reencontrarem nessa
espetacular, porém perigosa, região.
Baseado em fatos reais, é um filme para se ver
em família.
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A SOMBRA E A ESCURIDÃO
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Dirigido pelo competente
Stephen Hopkins,
"A Sombra e a Escuridão" (EUA, 2001) reuniu os astros Michael Douglas e
Val Kilmer em
uma movimentada e tensa aventura nos confins da África, no século 19 (o
filme é baseado em história real). A dupla precisa matar dois leões
sanguinários e extremamente inteligentes que impedem a construção de uma
ferrovia. As feras caçam juntas, sem medo dos homens ou do fogo. Pior,
matam por prazer e não para se alimentar, e têm um instinto quase
sobrenatural para perceber as armadilhas que lhes são preparadas. O
famoso caçador Remington (Douglas) e o
engenheiro civil Patterson (Kilmer) tentam
deter esses implacáveis monstros. Mas, nesta impressionante história de
homens contra feras, os caçadores tornam-se a caça.
Ação de primeira, bonitas locações, astros e uma direção eficiente fazem
de "A Sombra e a Escuridão" um filme/documentário interessante. Mas é
bom advertir que há cenas fortes (especialmente quando os leões atacam
suas presas) e um clima de suspense do começo ao fim. Por isso mesmo,
não é recomendado para pessoas muito sensíveis e, sobretudo, para
crianças.
(Com informações do site
www.videolar.com)
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SONHADORA
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Considerada uma das mais
promissores estrelas-mirins de Hollywood,
Dakota Fanning,
de "A Guerra dos Mundos" (2005), é a a
protagonista do drama "Sonhadora" (2006), filme baseado em uma história
verídica.
O longa conta a história de Ben
Crane, um treinador de cavalos de corrida
vivido por Kurt Russel, e de sua filha (Dakota
Fanning), que lutam juntos para salvar a
vida de uma égua doente que tinha futuro promissor nas pistas de
corrida. Sonya, o animal em questão, sofreu
uma lesão na pata que levou seu dono - o patrão de
Crane - a deixá-la de lado.
Crane, cansado de enriquecer seu chefe
forjando cavalos de competição, é demitido e recebe a égua contundida
como parte da indenização. Ele, então, se vê diante de um dos maiores
desafios de sua vida: tratar de Sonya e
recuperá-la para a prova de turfe mais importante dos Estados Unidos - a
Breeders' Cup
Classic.
A pequena Cale, personagem de Dakota
Fanning, assume um papel importante nesse
processo, ajudando nos cuidados com a égua e na recuperação da
auto-estima do pai.
O jornal
The
New York Times
disse que "Sonhadora" é melhor do
que "Seabiscuit - Ama de Herói" (2003),
filme que mostra a luta de um jóquei e um treinador para tornar um
cavalo um animal competitivo nas corridas.
A publicação destaca o filme por retratar a corrida de cavalos como um
negócio e não como um "conto de fadas". O jornal também destaca a
atuação de Elisabeth Shue, que vive a mulher
de Kurt Russell. Apesar da elogiada
performance de Elisabeth, a "estrela do filme" é
Dakota. O diretor John Gatins recebeu
dos produtores o aviso de que, se conseguisse
Dakota para estrelar "Sonhadora", a produção
do longa seria autorizada.
(Terra)
Nota:
É um bom filme para se ver com a família. Mostra o cuidado que se deve
dispensar aos animais, o bom caráter frente à busca desenfreada por
dinheiro (mas é bom destacar que não é correto participar de jogos de
azar e apostas, como se faz no filme) e a importância da manutenção dos
laços de família.
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SUPER SIZE ME
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Morgan
Spurlock, impulsionado pelo movimento de cinema independente que
veio à tona com o sucesso de bilheteria de Michael
Moore, documenta a cultura norte-americana do
fast
food
e os efeitos físicos e mentais que
ele provoca. O diretor passou trinta dias a base de hambúrgueres, batata
frita e refrigerante. Ingerindo cinco mil calorias diárias, ele foi sua
própria cobaia no combate à rede
McDonald´s. O experimento rendeu a
Morgan onze quilos, além de problemas psicológicos e de saúde, que foram
monitorados por três médicos antes, durante e depois do processo. Apesar
dos indesejados problemas adquiridos, o diretor conquistou o posto de
quarto documentário mais visto da história do cinema, além de provocar
mudanças na maior rede mundial de
fast
foods,
que aboliu o tamanho
super size
(gigante) e passou a imprimir os valores nutricionais dos lanches.
O espectador é constantemente surpreendido com a análise de
Spurlock do procedimento de
marketing
e vendas da
indústria alimentícia, que trabalha para deixar o consumidor acomodado e
passivo. Começa na infância. As crianças são seduzidas através dos
brinquedos que vêm nos lanches, do
playground
com piscina de
bolinhas, das canções infantis, e também do desenho animado da turma do
Ronald, que passa na TV. Com os pais não é diferente, são atraídos pela
praticidade e comodidade que esse tipo de restaurante oferece, além de
terem os filhos entretidos com os brinquedos e supervisionados pelos
funcionários. A má alimentação está presente igualmente nas escolas, que
oferecem cardápio rico em calorias e gorduras, colaborando para um
futuro de diabetes, obesidade e alto colesterol de milhares de jovens. E
é devido aos maus hábitos alimentares, que já são costume antigo do
cidadão norte-americano, que os Estados Unidos são o país com o maior
numero de obesos do mundo.
O grande sucesso de "Super Size Me" gerou
polêmica e abalou a maior rede mundial de
fast
food,
rendendo a Michael Moore, outro grande
especialista desse estilo sarcástico de documentário, 45 milhões de
dólares. Ele, que ficou reconhecido em todo o mundo por criticar o
american
way of life,
é hoje o garoto-propaganda do
McDonald´s. Pagando esse obeso cachê, a empresa fechou
contrato com o cineasta por dois anos, com o objetivo de contra-atacar a
má publicidade que vem sofrendo desde o lançamento do filme. Não é à toa
que a companhia quer limpar sua reputação: o filme foi indicado ao Oscar
de Melhor Documentário e Morgan Spurlock
ganhou o prêmio de Melhor Diretor de Documentário no
Sundance Film
Festival.
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A ÚLTIMA DAS GUERRAS
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A
princípio, "A Última das Guerras" parece mais um daqueles filmes de
guerra com muitas explosão e sangue pra todo lado. Infelizmente, como
todo filme de guerra, há explosão e sangue, sim. Mas não fica só nisso.
O filme, baseado em fatos reais, focaliza o auge da 2ª Guerra Mundial,
em 1942, quando a Cingapura é invadida por tropas japonesas. Um grupo de
soldados aliados é levado para um campo de prisioneiros de guerra na
selva da Birmânia. Ali há total desrespeito pela Convenção de Genebra e
pelos direitos humanos. Os soldados passam fome, adoecem, são torturados
e forçados a construir uma ferrovia em meio à mata selvagem. Enquanto um
grupo tenta organizar a fuga e se alimenta do desejo de vingança, outro
se volta para o estudo da filosofia, da literatura e da Bíblia Sagrada.
E é nesses estudos que eles encontram esperança para continuar vivendo e
adquirem a capacidade de perdoar até mesmo seus captores.
O filme, como se trata de uma história de guerra, traz cenas fortes e
não deve ser visto por todo tipo de pessoa(especialmente crianças). Mas
é um retrato nu e cru do que o ser humano pode se tornar quando não tem
Deus na vida - e do que pode vir a ser quando permite que Deus tome
conta de si.
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UMA VERDADE INCONVENIENTE
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Um novo
relatório, que será publicado no mês que vem, diz que os efeitos da
mudança climática serão ainda mais graves do que os que as Nações Unidas
tinham previsto. O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Pnuma),
Achim Steiner,
assegurou que “as conseqüências da mudança climática são mais sérias do
que achávamos até agora”. Notícias como esta tornam cada vez mais
necessária a tomada de consciência por parte
dos habitantes do planeta Terra, se quiserem passar mais algum tempo por
aqui e legar a seus filhos um mundo minimante habitável (já que todas as
projeções apontam para uma situação crítica em, no máximo, 50 anos). E é
aí que entram produções como o documentário premiado (Oscar de Melhor
Documentário em 2007) do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore,
“Uma Verdade Inconveniente”.
Dirigido por Davis Guggenheim, o filme, que
chegou às locadoras no mês passado, apresenta argumentos persuasivos de
Gore, ilustrados com gráficos, tabelas e belas imagens de várias partes
da Terra. Gore explica que já não se pode tratar o aquecimento global
como um problema meramente político, mas sim como o
maior desafio que se enfrentará neste século.
O filme é muito bem feito, recheado de dados científicos, mas sem ser
técnico demais. A criatividade e o bom humor recheiam a produção e a
qualidade retórica de Gore fica evidente. O filme apenas peca pelo
excessivo personalismo, centrado que é na figura do político que quase
se tornou presidente nas eleições do ano 2000 e que perdeu para o Bush
que não quis assinar o Protocolo de Kioto.
No fim do filme, são dadas sugestões de atitudes individuais para
combater o efeito estufa.
A verdade que o filme apresenta pode ser “inconveniente” para quem pensa
em viver aqui para sempre. Mas quando lembramos que o aquecimento global
traz a reboque problemas como a fome, epidemias e inundações, é
impossível deixar de relacionar isso com outra verdade profetizada há
muitos séculos, na Bíblia: a verdade da volta de Jesus. Mas a diferença,
entre tantas, é que esta traz esperança.
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VOO 93
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Faz mais de
cinco anos, mas as cenas não saem da memória. Muitas pessoas são capazes
de dizer o que estavam fazendo no momento em que um dos maiores
atentados terroristas da história acontecia nos Estados Unidos. Em
questão de minutos, dois grandes símbolos da América – as Torres Gêmeas
do World Trade
Center e o Pentágono – foram atingidos por
aviões comerciais dominados por terroristas islâmicos.
O plano terrorista era causar estrago com quatro
Boeings, mas um deles atrasou a decolagem e a tripulação e os
passageiros acabaram sabendo o que estava acontecendo. “Vôo
93”
(Estados Unidos, 2006), dirigido por Peter Markle,
é um drama envolvente e tenso do começo ao fim. Os eventos e diálogos
foram reconstituídos a partir de horas de entrevista com controladores
de vôo, militares e com as famílias dos 40 passageiros e tripulantes que
estavam a bordo do Boeing 757 da United
Airlines. Essas entrevistas, juntamente com
as gravações de vôo e outras informações se tornaram
a base do filme que quase poderia ser considerado documentário.
Um grupo de atores talentosos, mas pouco conhecidos, interpreta as
pessoas comuns que embarcaram para a morte naquele fatídico 11 de
setembro. A decisão de tomar o avião dos terroristas, a fim de que não
destruíssem a Casa Branca, os telefonemas de despedida para os parentes
e os últimos instantes antes da queda; tudo é contado em cenas e
diálogos carregados de muita emoção.
É um filme que faz pensar na fugacidade e fragilidade da vida, e em como
certas coisas como carreira, dinheiro e
sucesso se tornam tão pequenos em face da morte. No fim das contas, o
que realmente importa são os relacionamentos, as
pessoas a quem se ama, a família.
Especialmente tocante é o momento em que um dos passageiros pede a uma
atendente da companhia aérea que ore com ele ao telefone. Em situações
extremas, quase todo ser humano percebe sua
finitude e se volta para Deus.

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